A CBS é um dos pontos centrais da Reforma Tributária sobre o consumo no Brasil e tem gerado muitas dúvidas entre empresários, gestores financeiros e profissionais da contabilidade. Entender como funciona a alíquota da CBS, quando ela começa a valer e quais serão os impactos práticos no dia a dia das empresas é fundamental para se preparar com antecedência e evitar surpresas no caixa ou problemas de conformidade fiscal.

Neste artigo, você vai entender de forma clara e objetiva o que é a CBS, qual será sua alíquota, como funcionará a fase de testes, o que muda a partir de 2027 e quais cuidados sua empresa deve adotar desde já.

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O que é a CBS e por que ela foi criada

A Contribuição sobre Bens e Serviços, conhecida pela sigla CBS, é um novo tributo criado dentro da Reforma Tributária do consumo. Ela surge com o objetivo de substituir dois impostos federais atuais: o PIS e a Cofins.

Hoje, o sistema de tributação sobre o consumo é considerado complexo, cheio de regras diferentes, exceções e interpretações que geram insegurança jurídica. A CBS foi pensada para simplificar esse cenário, criando uma base de cálculo mais clara, regras mais uniformes e um modelo mais transparente de arrecadação.

Na prática, a CBS será cobrada sobre a venda de bens e a prestação de serviços, seguindo um modelo semelhante ao de um imposto sobre valor agregado, conhecido como IVA.

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Qual será a alíquota da CBS

A alíquota de referência da CBS foi definida em 8,8%. Esse percentual é o que o governo estima ser suficiente para substituir a arrecadação que hoje vem do PIS e da Cofins, sem aumentar nem reduzir a carga tributária total.

É importante entender que essa alíquota de 8,8% é chamada de “alíquota de referência”. Isso significa que ela foi calculada com base em projeções e poderá passar por ajustes ao longo do tempo, especialmente durante o período de transição do novo sistema.

Mesmo assim, esse percentual já serve como base para que empresas façam simulações, revisem preços, margens e planejamento tributário.


Quando a CBS começa a valer

A CBS não será aplicada de forma imediata e integral. A Reforma Tributária estabeleceu um cronograma de implementação gradual, justamente para permitir que empresas, contadores e o próprio governo se adaptem ao novo modelo.

Esse processo começa em 2026 e vai até 2033.

Linha do tempo da CBS

De forma resumida, o cronograma funciona assim:

  • 2026: início da fase de testes da CBS
  • 2027: início da cobrança efetiva com alíquota de referência
  • 2027 a 2033: período de transição e possíveis ajustes
  • Após 2033: sistema totalmente implantado

Cada uma dessas etapas tem características próprias, que você verá a seguir.


Fase de testes da CBS em 2026

O ano de 2026 será marcado pela fase experimental da CBS. Nessa etapa, o tributo começa a ser aplicado, mas com uma alíquota bem reduzida, justamente para testar o funcionamento do novo sistema.

Qual será a alíquota em 2026

Durante a fase de testes:

  • A alíquota da CBS será de 0,9%
  • O IBS, imposto que substituirá ICMS e ISS, terá alíquota de 0,1%
  • A carga total será de 1%

Esse percentual reduzido foi definido para que não haja impacto relevante na arrecadação nem no custo das empresas.


Objetivo da fase de testes

A fase de testes não tem como foco arrecadar mais impostos. O objetivo principal é operacional.

Entre os principais pontos que serão avaliados estão:

  • Funcionamento dos sistemas de apuração
  • Forma de recolhimento da CBS
  • Mecanismos de crédito e débito
  • Integração entre sistemas das empresas e do governo
  • Identificação de falhas ou ajustes necessários

Para o empresário, esse período será essencial para adaptar sistemas internos, treinar equipes e revisar processos sem o peso de uma carga tributária elevada.


CBS definitiva a partir de 2027

A partir de 2027, a CBS deixa de ser apenas um teste e passa a ser cobrada de forma efetiva. É nesse momento que entra em cena a alíquota de referência de 8,8%.

Isso significa que, a partir desse ano, a CBS substitui de fato o PIS e a Cofins na apuração dos tributos federais sobre o consumo.

Mesmo assim, a transição não será brusca. O modelo foi desenhado para permitir ajustes ao longo dos anos seguintes, garantindo que a mudança não gere distorções econômicas.

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A neutralidade da carga tributária

Um dos princípios mais importantes da Reforma Tributária é a chamada neutralidade tributária. Na prática, isso significa que a substituição de PIS e Cofins pela CBS não deve aumentar nem reduzir, de forma global, a carga de impostos.

A alíquota de 8,8% foi calculada justamente para manter esse equilíbrio. Caso, ao longo do tempo, seja identificado que a arrecadação está acima ou abaixo do esperado, ajustes podem ser feitos para preservar essa neutralidade.

Para o empresário, isso traz maior previsibilidade e reduz o risco de aumentos inesperados de impostos.


CBS como tributo não cumulativo

Outro ponto fundamental para entender a alíquota da CBS é o seu modelo de funcionamento. A CBS será um tributo não cumulativo.

O que significa não cumulatividade

Na não cumulatividade, o imposto incide apenas sobre o valor que a empresa adiciona ao produto ou serviço em cada etapa da cadeia.

Em termos simples:

  • Você paga CBS sobre suas vendas
  • Desconta a CBS que já foi paga nas compras
  • Recolhe apenas a diferença

Isso evita o efeito de “imposto sobre imposto”, conhecido como cobrança em cascata.


Diferença em relação ao PIS e à Cofins

Hoje, dependendo do regime tributário e da atividade, PIS e Cofins podem gerar distorções, especialmente quando não há direito amplo a créditos.

Com a CBS, a lógica de crédito tende a ser mais clara e uniforme, o que facilita:

  • A apuração mensal
  • O controle de custos
  • A formação de preços
  • A análise de margens

Regimes diferenciados e setores específicos

Embora a alíquota de referência da CBS seja de 8,8%, a legislação prevê a possibilidade de tratamentos diferenciados para alguns setores.

Esses regimes especiais ainda dependem de regulamentação, mas já se sabe que áreas consideradas essenciais ou sensíveis podem ter regras próprias.

Exemplos de setores com possível tratamento diferenciado

Entre os setores que podem ter regimes específicos estão:

  • Educação
  • Saúde
  • Algumas atividades de interesse social
  • Setores com forte impacto econômico ou social

O objetivo desses regimes é reduzir impactos negativos e evitar que atividades essenciais sejam excessivamente oneradas.


Transição até 2033

A implementação completa da CBS não acontece de uma vez. O período de transição vai até 2033, quando o novo sistema de tributação sobre o consumo deverá estar totalmente consolidado.

Durante esse período, haverá convivência entre:

  • CBS
  • IBS
  • Tributos atuais que ainda não foram totalmente extintos

Esse modelo gradual permite ajustes técnicos e legais, além de dar mais tempo para adaptação das empresas.


Possibilidade de ajustes na alíquota da CBS

Mesmo com a definição da alíquota de referência, a CBS não é um tributo engessado. Ao longo do período de transição, o governo poderá revisar percentuais para garantir:

  • Neutralidade da arrecadação
  • Equilíbrio econômico
  • Adequação à realidade do mercado

Isso reforça a importância de acompanhamento constante por parte das empresas e de seus contadores.

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Impactos da CBS para as empresas

A mudança trazida pela CBS vai muito além da simples troca de nomes de tributos. Ela impacta diretamente a gestão financeira e tributária das empresas.

Entre os principais impactos, podemos destacar:

  • Necessidade de atualização de sistemas fiscais
  • Revisão de processos de faturamento
  • Adequação de contratos
  • Reavaliação de preços e margens
  • Ajustes no planejamento tributário

Empresas que se anteciparem terão mais facilidade para absorver essas mudanças.


O papel do contador na adaptação à CBS

Os profissionais da contabilidade terão um papel ainda mais estratégico nesse processo. A correta interpretação das regras da CBS e o acompanhamento das fases de implementação serão decisivos para evitar erros.

O contador será fundamental para:

  • Orientar empresários sobre impactos financeiros
  • Simular cenários com a nova alíquota
  • Ajustar processos internos
  • Garantir conformidade com as novas regras

Como o empresário deve se preparar desde já

Mesmo que a alíquota cheia da CBS só passe a valer a partir de 2027, a preparação deve começar o quanto antes. Ter a tecnologia e os parceiros certos ao seu lado é o caminho mais seguro para evitar dores de cabeça.

Algumas ações práticas incluem:

  • Conversar com o contador: Entenda os impactos da CBS especificamente no seu modelo de negócio e no seu fluxo de caixa.
  • Acompanhar a regulamentação: Fique de olho nos desdobramentos e possíveis ajustes na Reforma Tributária.
  • Realizar simulações: Projete cenários usando a alíquota de referência de 8,8% para entender o impacto nos seus preços e margens.
  • Planejar ajustes: Faça as adequações operacionais necessárias com antecedência, amparado por dados precisos do seu sistema.
  • Contar com o Simplifique: Avaliar e atualizar o seu sistema de gestão é crucial. Com o Simplifique, sua empresa ganha uma ferramenta preparada para automatizar rotinas fiscais, adequar o faturamento às novas regras e centralizar a gestão financeira. Isso garante que a transição para a CBS aconteça de forma fluida e sem erros.

Conclusão

A alíquota da CBS é um dos elementos mais importantes da Reforma Tributária sobre o consumo. Com alíquota de referência fixada em 8,8%, fase de testes em 2026 e implementação gradual até 2033, a CBS representa uma mudança estrutural na forma como as empresas lidam com tributos federais.

Apesar dos desafios, o novo modelo traz oportunidades de simplificação, maior transparência e redução de distorções. Para o empresário, o segredo está na informação e no planejamento. Quem entender a CBS desde agora estará mais preparado para enfrentar a transição com segurança e previsibilidade.